'Não vou deixar de ser amiga dele': professora intoxicada por mercúrio relembra discussão com investigada que antecedeu crime
Professora de artesanato acusa aluna por intoxicação com mercúrio O Fantástico deste domingo (19) repercutiu o caso de uma professora de artesanato que acus...
Professora de artesanato acusa aluna por intoxicação com mercúrio O Fantástico deste domingo (19) repercutiu o caso de uma professora de artesanato que acusa uma aluna por intoxicação com mercúrio. A polícia acredita que o crime contra a vítima pode ter sido motivado por ciúmes da amizade que ela mantinha com o namorado da principal investigada pelo delito. 🔎O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, e pode provocar danos graves ao cérebro, além de atingir órgãos como rins, intestino e pele. Segundo o delegado responsável pela investigação, a suspeita passou a demonstrar ciúmes da relação entre a vítima e o companheiro, o que teria dado início ao plano que culminou na contaminação da água da professora com a substância tóxica. "Num determinado momento, por ter amizade com o namorado da investigada, ela passou a cobrar ciúmes da vítima. A partir daí começa toda a trama delituosa", afirmou o delegado. A professora contou que as duas chegaram a discutir cerca de um ano e meio antes da descoberta do caso. Na ocasião, ela disse ter deixado claro que não abriria mão da amizade. "Eu falei: 'Se você tem algum problema com ele, resolva com ele, porque ele é seu namorado. Mas eu não vou deixar de ser amiga dele. Para mim, ele era mais que um irmão'", relembrou. A investigação aponta que, após o desentendimento, a suspeita teria colocado mercúrio, de forma repetida, na garrafa de água usada pela professora durante as aulas de artesanato realizadas em um hospital. A ação foi registrada por uma câmera instalada pela própria vítima depois que ela passou a desconfiar da alteração no gosto da água e do comportamento da aluna. Exames periciais confirmaram a presença de mercúrio nas garrafas e também no sangue e na urina da professora. Para a polícia, a repetição da conduta e o uso consciente da substância reforçam a linha de investigação por tentativa de homicídio. A investigada nega as acusações. Em nota, a defesa informou que ela faz tratamento médico por transtornos mentais e que não irá comentar o caso para não prejudicar a conclusão do inquérito. Segundo o delegado, até o momento não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico. 'Foi desesperador'; professora intoxicada por mercúrio conta como gravou aluna colocando metal em garrafa de água O caso A Polícia de Civil de Pernambuco está na reta final da investigação de um caso de intoxicação por mercúrio. A vítima é uma professora de artesanato, que gravou a sua garrafa de água sendo violada por uma aluna. Maria Aparecida Rodrigues de Araújo aparece nas imagens mexendo no recipiente e despejando um material. Análises confirmaram a presença do metal tóxico na água. A aluna é investigada por tentativa de homicídio. O caso começou em um espaço de artesanato montado no estacionamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz. Denny era professora voluntária do curso e conhecia Maria Aparecida, que acompanhava o filho em tratamento e também frequentava as aulas. Segundo a professora, a aluna lhe deu uma garrafa de água, que Denny passou a usar diariamente por cerca de dois meses. Nesse período, Denny percebeu bolhas na água e um gosto diferente, mas não desconfiou de um problema grave. A suspeita surgiu quando flagrou Maria Aparecida mexendo na garrafa durante uma aula. "Eu peguei ela mexendo na minha garrafa. Aí ela se assustou e fez como se estivesse tirando ela do local e botando em outro", conta Denny. Flagrantes revelaram ação Depois desse episódio, a professora retirou pequenas "bolinhas" da boca antes de engolir a água e decidiu instalar um celular escondido para gravar o que acontecia na sala. As imagens registraram Maria Aparecida colocando um material dentro da garrafa. Ela aparece cortando um papel com uma tesoura, depositando o conteúdo na água, agitando a garrafa e saindo da sala. Com os vídeos, Denny procurou a polícia. A garrafa foi encaminhada para perícia e, dois dias depois, a professora voltou ao curso com outro recipiente idêntico. Segundo ela, a suspeita repetiu o comportamento e voltou a ser filmada. Os laudos periciais apontaram a presença de mercúrio nas duas garrafas analisadas. Exames também detectaram o metal no sangue e na urina da professora. Exames confirmaram a presença do metal no sangue, na urina e na água consumida pela vítima. No sangue de Denny foram encontrados 21 mg — cerca de quatro vezes acima do limite considerado tolerável. A polícia ainda tenta esclarecer por quanto tempo o mercúrio foi colocado na água. Denny afirma que os primeiros sintomas surgiram quase um ano antes das gravações. Como tem fibromialgia desde 2016, acreditou inicialmente que a piora do quadro estivesse relacionada à doença. Segundo ela, a própria reumatologista descartou essa hipótese ao perceber que os sintomas não eram compatíveis com a fibromialgia. As gravações foram feitas nos dias 3 e 5 de junho de 2025. Mais de um ano depois, o inquérito ainda não foi concluído. O delegado responsável afirma que, embora as imagens e os depoimentos sejam relevantes, a investigação busca reunir mais elementos para comprovar a prática do crime. Já a defesa de Denny cobra mais rapidez e afirma que os laudos confirmando a presença de mercúrio ficaram prontos poucos dias após o início da apuração. Segundo a polícia, Maria Aparecida nega as acusações. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.